Foto: Divulgação/Neon
O Brasil concorre a cinco estatuetas do Oscar neste domingo (15), mas, para além das indicações de O Agente Secreto e do fotógrafo Adolpho Veloso por Sonhos de Trem, a relação do país com o prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas ultrapassa décadas. De nomeações a Melhor Canção Original até Melhor Animação, o audiovisual brasileiro já marcou presença em diferentes categorias da principal premiação da indústria cinematográfica mundial.
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Primeiro veio a música
A presença brasileira no Oscar começou em 1945, quando a música “Rio de Janeiro”, composta por Ary Barroso, foi indicada a Melhor Canção Original no musical Brasil. A obra, no entanto, era uma produção norte-americana estrelada por Tito Guízar e Virginia Bruce. Na cerimônia, a canção brasileira acabou derrotada por “Swinging on a Star”, do filme O Bom Pastor.
Em 1960, “Orfeu do Carnaval” vence, mas representa a França

O retorno ocorreu em 1960, com Orfeu do Carnaval, de Marcel Camus, adaptação cinematográfica da peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes. O longa venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, categoria atualmente entitulada Melhor Filme Internacional.
Apesar da temática brasileira e das gravações no Rio de Janeiro, a estatueta não foi contabilizada oficialmente para o Brasil. Isso ocorreu porque o filme concorreu como representante da França, país coprodutor da obra ao lado da Itália.
A primeira indicação oficial do Brasil

O primeiro longa inscrito oficialmente pelo Brasil na categoria de filme estrangeiro foi O Pagador de Promessas, adaptação da peça teatral homônima de Dias Gomes e dirigido por Anselmo Duarte, indicado ao Oscar de 1963.
A produção havia conquistado a Palma de Ouro no Festival de Cannes no ano anterior, o que angariou reconhecimento internacional ao título.
Na premiação da Academia, porém, o filme perdeu para o francês Sempre aos Domingos, de Serge Bourguignon.
Coprodução brasileira rende Oscar de atuação

Na década de 1980, O Beijo da Mulher-Aranha, dirigido por Hector Babenco, chegou forte à premiação de 1986. A coprodução entre Estados Unidos e Brasil foi indicada nas categorias de melhor filme, direção e roteiro adaptado.
O longa, que contava com Sonia Braga no elenco, não venceu nessas categorias, mas garantiu uma estatueta para William Hurt, premiado como Melhor Ator por sua atuação.
Anos 1990 e a retomada

O cinema brasileiro voltou a ganhar espaço no Oscar nos anos 1990, com três indicações a Melhor Filme Estrangeiro.
O Quatrilho, de Fábio Barreto, foi indicado em 1996. Dois anos depois, em 1998, O Que É Isso, Companheiro?, dirigido por Bruno Barreto, também chegou à disputa. Em 1999, Central do Brasil, de Walter Salles, voltou a representar o país.
O filme protagonizado por Fernanda Montenegro ampliou a presença brasileira na premiação ao garantir também uma indicação histórica de Melhor Atriz por sua atuação, ao ser a primeira intérprete indicada por uma atuação em língua portuguesa.
“Cidade de Deus”, o fenômeno internacional

Cidade de Deus, lançado em 2002 e dirigido por Fernando Meirelles, inicialmente não foi indicado a Melhor Filme Estrangeiro. Após ganhar repercussão internacional, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, o longa disputou o Oscar apenas na edição de 2004.
Até as quatro nomeações de O Agente Secreto, a produção era a recordista do país em número de indicações: direção, roteiro adaptado, montagem e fotografia. Mesmo sem vencer nenhum dos quatro prêmios, o filme consolidou seu reconhecimento internacional e se tornou uma das obras audiovisuais em língua não-inglesa mais populares da história do cinema.
Brasil amplia presença em diferentes categorias do Oscar

A participação brasileira na premiação também se estendeu para outras áreas da produção cinematográfica, evidenciando o potencial e plurarilidade da industria audiovisual do país.
Em 2016, a animação O Menino e o Mundo, dirigida por Alê Abreu, foi indicada ao Oscar de Melhor Animação. Já em 2020, Democracia em Vertigem, documentário de Petra Costa sobre o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, concorreu como Melhor Documentário.
Vitória recente e marco histórico

A presença do país voltou a ganhar destaque em 2025 com Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles. O filme se tornou o primeiro representante do Brasil a conquistar o Oscar de Melhor Filme Internacional.
Além da vitória, a produção também fez história ao receber indicações em outras duas categorias: Melhor Filme — pela primeira vez para um longa totalmente brasileiro — e Melhor Atriz, com Fernanda Torres, repetindo a indicação conquistada por sua mãe, Fernanda Montenegro, em 1999.
Oscar 2026 e a possibilidade de conquistas inéditas
A cerimônia do Oscar 2026 acontece neste domingo (15), às 20h. O Brasil está representado em quatro categorias com O Agente Secreto — Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Filme Internacional e Melhor Elenco — além de Melhor Fotografia, com Adolpho Veloso indicado pelo trabalho em Sonhos de Trem. Saiba onde acompanhar a premiação em Santa Maria.